Como fazer um CV sem experiência profissional

Escrever o CVPela equipa do resume.art5 min de leitura

Uma planta a brotar de um CV quase em branco, ao lado de um capelo de formatura

Pode fazer um bom CV sem experiência profissional se começar pelo que já fez, em vez de por onde trabalhou: estudos, projetos, voluntariado, trabalhos em part-time e as competências que lhe deram. Quem contrata para funções de entrada não espera uma carreira. Procura sinais de que sabe aprender e leva as coisas a sério.

Tem mais para mostrar do que pensa

No CV, «experiência» não tem de significar um emprego pago. Antes de escrever seja o que for, reserve dez minutos para listar tudo o que fez nos últimos anos e depois escolha o que está mais próximo do emprego que procura.

  • Unidades curriculares e projetos finais, sobretudo aqueles em que criou, mediu ou apresentou algo.
  • Projetos pessoais: uma aplicação, um site, um canal de vídeo, uma pequena loja online ou um negócio paralelo.
  • Voluntariado: numa instituição de solidariedade, numa associação de estudantes, num clube local ou num evento comunitário.
  • Trabalho em part-time e sazonal: retalho, restauração, explicações, tomar conta de crianças, entregas.
  • Competições e certificados: hackathons, olimpíadas, exames de línguas, cursos online que terminaram com trabalho real.
  • Responsabilidades em casa ou num grupo: capitania de uma equipa, tesouraria de uma associação, organização de uma viagem.

Use um layout que comece pelos seus pontos fortes

Os CV habituais põem a experiência profissional primeiro porque é aí que quem já tem carreira mostra mais força. Pode mudar a ordem para que o leitor veja primeiro os seus pontos fortes e manter os títulos conhecidos que as pessoas e o software esperam.

  1. Nome e contactos: e-mail, telefone, cidade e um link para o portefólio ou o LinkedIn, se o tiver.
  2. Resumo: duas frases sobre o que estuda ou faz e o emprego que procura.
  3. Formação: grau ou diploma, instituição, datas e unidades curriculares relevantes.
  4. Projetos: dois ou três, escritos como se fossem empregos.
  5. Experiência: trabalho em part-time e voluntariado, do mais recente para o mais antigo.
  6. Competências: ferramentas, línguas e métodos, sem adjetivos.

Escreva os projetos como se fossem empregos

Um projeto é experiência se o escrever dessa forma. Dê-lhe um nome, diga para que servia e o que usou e depois descreva um resultado. A fórmula dos tópicos é a mesma de qualquer emprego: um verbo, o que fez e o que resultou daí.

Antes

Fiz um site para um clube como projeto na universidade.

Depois

Criei em React um site de reservas com pagamentos online para um clube universitário. Usado por 120 membros no primeiro semestre, substituiu uma folha de cálculo partilhada.

Antes

Trabalhei num café.

Depois

Atendi até 80 clientes por turno num café movimentado e formei três novos colegas na caixa e nas regras de segurança alimentar.

Os números ajudam muito e não têm de ser grandes: o tamanho de uma equipa, quantas pessoas usaram algo, quantos clientes atendeu. Começar cada linha com um destes verbos de ação facilita muito a tarefa.

Indique competências que um empregador possa confirmar

Leia dois ou três anúncios para a função que procura e anote as competências que aparecem em todos. São essas que deve indicar primeiro, desde que as saiba usar de verdade. Refira ferramentas concretas em vez de talentos gerais.

Antes

Aprendizagem rápida, muito trabalho, jeito para computadores, espírito de equipa

Depois

Excel (tabelas dinâmicas, PROCV), Google Analytics, Canva, inglês (C1), espanhol (B1)

As competências interpessoais contam, mas só convencem quando aparecem nos projetos e nos empregos, e não numa lista. O nosso guia de competências para o CV tem exemplos por tipo de trabalho.

Um exemplo completo

É este o aspeto que pode ter a página inteira para alguém à procura do primeiro emprego em marketing. A pessoa e os pormenores são inventados, por isso aproveite a estrutura e use os seus próprios factos.

Exemplo de CV

Inês Morais ines.morais@example.com · +351 900 000 000 · Coimbra RESUMO Estudante de Marketing com experiência prática em redes sociais e promoção de eventos. Procuro uma primeira função como assistente de marketing. FORMAÇÃO Licenciatura em Marketing, Universidade do Mondego, conclusão prevista em maio de 2027 Unidades curriculares relevantes: Marketing Digital, Comportamento do Consumidor, Estatística PROJETOS Campanha do Banco Alimentar do Campus (equipa de 4) Planeei e geri uma campanha no Instagram que aumentou os donativos em 40% num semestre. Lançamento da Study Buddy (projeto de unidade curricular) Redigi o plano de lançamento e o inquérito de uma aplicação para estudantes, recolhi 210 respostas e apresentei os resultados a um painel de fundadores locais. EXPERIÊNCIA Assistente de vendas, Livraria Ribeirinha, desde 2024 (part-time) Atendo até 60 clientes por turno e criei a newsletter da loja, hoje enviada a 800 subscritores. Voluntária, Festival de Cinema do Mondego, 2025 Ajudei na bilheteira para mais de 500 pessoas ao longo de três noites. COMPETÊNCIAS Meta Business Suite, Google Analytics, Canva, Excel Português (língua materna), inglês (B2)

O que deixar de fora

  • Declarações de «falta de experiência». Não peça desculpa pelo que lhe falta, nem no CV nem na carta.
  • Um objetivo sobre os seus sonhos. Diga o que pode trazer à função, não o que espera obter dela.
  • Conquistas escolares antigas, a não ser que ainda esteja a estudar ou sejam notáveis.
  • Passatempos sem ligação à vaga. Fique com os que mostram uma competência, como um clube que dirige ou uma equipa que capitaneia.
  • Qualquer coisa inventada. É fácil de confirmar e difícil de explicar numa entrevista.

Quando a página estiver pronta, faça uma pequena alteração para cada candidatura. Uma rotina de adaptação de dez minutos importa ainda mais quando não tem experiência que fale por si. Se for pedida uma carta de apresentação, os nossos exemplos incluem uma para o primeiro emprego.

Perguntas frequentes

Que extensão deve ter um CV sem experiência?

Uma página, sem exceção. Não precisa de a preencher por completo. Um espaçamento confortável e uma página focada ficam melhor do que enchimento.

Devo incluir trabalhos em part-time ou sem relação com a vaga?

Sim. Um trabalho no retalho, tomar conta de crianças ou uma época numa quinta mostram que chega a horas e sabe lidar com pessoas. Descreva-o pelo que lhe confiaram, mesmo que não tenha nada a ver com o emprego que procura.

Devo pôr as notas no CV?

Inclua-as se forem boas (cerca de 16 em 20, ou o escalão mais alto onde estuda) ou se o empregador as pedir. Caso contrário, deixe-as de fora e deixe que os projetos e as unidades curriculares façam o trabalho.

E se não tiver nenhuma das competências do anúncio?

Diga o que é verdade e aponte para o nível que consegue defender. Refira ferramentas que usou mesmo num projeto ou numa unidade curricular e descreva o seu nível com honestidade: um entrevistador vai testar tudo o que puser na lista.

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